Se me pedissem para responder em poucas palavras por que tem tanta
gente interessante sozinha e infeliz por aí, eu não iria hesitar muito
em responder: porque eles não querem estar sozinhos, mas não sabem estar
juntos. Porque, na primeira oportunidade,
tem muita gente que se agarra desesperadamente à chance de encontrar o
amor da sua vida, mas não está nem um pouco interessado em construir uma
relação de verdade com o príncipe encantado, quer ver logo a coroa de
princesa e as declarações apaixonadas do lado de um cavalo branco.
E quem procura até acha, mas acaba se contentado com o primeiro que
encontra. Ninguém mais está preocupado em se dedicar à pessoa certa,
mesmo que ela seja apenas uma das dezenas que estão por aí no mundo e
que combinariam muito com seus planos na vida. Na esperança de achar uma
alma gêmea que nem sempre existe, se desesperam e vão com muita sede a
um pote vazio, que deveria ser completado não com suas expectativas
inalcançáveis sobre relacionamento, mas o que ela tem a oferecer a quem
diz que ama.
Outro dia li em um comentário por aí dizendo que o problema é sempre
quando alguém tenta fazer outro feliz. Que ninguém tem a obrigação de
fazer uma pessoa feliz que não seja ele mesmo. Fiquei bastante
escandalizada. Quem disse que é uma obrigação? A palavra relacionamento
acabou substituindo a palavra amor e tudo virou uma ciência, repleta de
estatísticas, jeitos de se fazer. Homens preferem isso e aquilo na cama.
Mulheres são mais assim e assado, mas também não dispensam um pau com
mais do que tantos centímetros, diz pesquisa.
Tem coisa melhor nessa vida do que saber que o outro está precisando
de um colo e fazer de tudo para ser esse ombro amigo? Tem coisa melhor
do que ser melhor amigo de quem se ama? Tem coisa melhor do que só parar
de se divertir com os errados quando realmente achar o certo? Muito se
diz sobre relacionamentos que acabam por que virou só amizade,
mas pouco sobre os que acabam porque nunca foram. Intimidade,
cumplicidade, não se paga com nenhum tipo de falsa liberdade. Não se
engane, experiência nenhuma que vale a pena vai manter você nos seus
eixos. E é preciso estar preparado para que sua vida seja chacoalhada de
um jeito que você, se tudo der certo, não vai nem querer controlar.
Paixão é assim. Amor continua sendo assim, você vai se entregando à
vida, vai se entregando a quem ama, vai deixando de pensar só em si.
Se você quiser que o seu namoro/casamento/relacionamento – que o seu
amor – dure, que ele marque sua vida de um jeito que vai ser difícil
viver depois sem estar rodeado, repleto de uma felicidade absurda, se
você quer realmente experimentar um amor de alma, um amor de olhar no
fundo dos olhos e entender em dois segundos quem é o outro, do que ele
precisa para ser feliz – e que ele faça o mesmo por você -, vai ter que
abrir mão da postura individualista de querer tudo e não dar nada.
De uns tempos para cá, comecei a me sentir a mulher mais feliz do
mundo por nunca ter tido um desses relacionamentos de estatística,
planejado, pensado, calculado para não dar intimidade demais nem
resultar em liberdade de menos. Eu só amei, amei, amei, amei muito. Sem
ficar podando arestas e vivendo com medo de como as coisas vão se sair.
Porque bom mesmo é acordar todos os dias, olhar pro lado e não acreditar
em quanta felicidade o destino te reservou. Não por uma noite, nem por
seis meses, mas por anos e anos. Infelizmente, isso é muito raro. E não
porque é impossível, como os mais desiludidos acreditam às vezes. Mas
porque tem muita gente querendo amor, e pouca gente sabendo o que é
isso.
(Vana Medeiros- Colunista do Casal Sem Vergonha)

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