Algumas palavras ;)

Em cada respiração, surge a possibilidade de um novo aspecto de nós mesmos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Morte com vida literária.

Deitada no chão ela estava,coberta pelo clima fúnebre que pairava sobre o quarto fechado.Entre lágrimas doloridas o pensamento: - Amanha queria não acordar.
E no seu intimo ela sabia que quando a situação chegasse aquele ponto, as esperanças para ela haviam se esgotado. Daquela vez não seria a esperança a ultima a morrer. Ela sabia disso. Esta ja havia morrido e a proxima seria ela. Naquele momento a morte ja lhe parecia mais fácil do que a própria vida. Mas, como tornar aquilo mais fácil se lhe parecia que ainda restavam muitos dias e coisas a serem resolvidas.
Tirar a própria vida?
Como? Se ao seu redor via apenas um fio de telefone e não queria morrer desta forma, uma janela entreaberta. E se não desse certo e a dor fosse maior ainda?
Na escuridão daquela noite fatídica ela tateou, ao lado de onde seu corpo estava jogado, uma caneta e algumas folhas em branco.
Pensou por alguns segundos e começou a desenhar as primeiras linhas trêmulas. Aquilo pareceu aliviar um pouco a intesidade de sua dor.
Ao lado de fora do quarto pode ouvir gritos e discussões. E a medida que aquilo ia aumentando ela calcava mais e mais a caneta, ja falhada, no papel.
Suas lágrimas iam borrando a tintae esfumaceando as palavras, tornando assim impossivel entender o que estava escrito.
Mas, a garota não se importou, continuou escrevendo e escrevendo sem parar, até lhe doer o braço e depois amortecer e logo pelo cansaço adormecer, caindo encimada nas várias folhas totalmente escritas.
E, naquela noite, em seu quase leito de morte ela descobriu um refúgio, um mundo só dela que aliviaria sua dor.
No escuro, como sempre!
Ali, entre quatro paredes, com aquela pequena brecha oferecida pela janela, que deixava seu rosto, ofuscado, a mercê da luz das estrelas. Que antes ela não conseguia ver.
E quando os gritos ensurdecedores lá fora foram cessando, em seus sonhos, gradativamente brotaram flores.
Mas, ela continuava ciente que no outro dia, logo ao amanhecer a realidade viria lhe acordar...
... de braços abertos...
... e punhos fechados, pronta para lhe acertar no estômago vazio.

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