- Eu te amo – disse ele, do nada, mexendo nos cabelos dela.
Ela ficou surpresa. Conheciam-se há apenas uma semana, mas ela já sentia algo imenso por ele. Permaneceu em silencio, amor era muito perigoso para ela, há tempos havia se fechado para isso.
- Você vai ficar calada? Perguntou. Levantou do sofá onde assistiam a um filme.
-Eu...eu...- ela gaguejou.
- Eu já entendi – disse perplexo – Eu me entreguei para você e todo esse tempo você só queria sexo!
-Todo esse tempo? – foi a vez dela – estamos saindo há uma semana.
- Você é muito insensível, termine o filme sozinha e quando estiver interessada em dividir algo bonito comigo, me procure – calçou o tênis, pousou o boné na cabeça e bateu a porta.
Ainda confusa ela trocou algumas palavras com a amiga pela internet e resolveu ir atrás dele.
Correu até a casa dele e ele não estava lá. Lembrou que quando estava triste, não que ele estivesse, gostava de ir até a praia, e resolveu ir até lá.
Ele estava lá, sentando em um banco perto do farol, vislumbrando o mar.
- Ei – ela o chamou, quando se sentou ao seu lado no banco.
- Mudou tão depressa de opinião?- Supôs sem olhar para ela.
- Por que você me disse aquilo?
- O quê? – fez-se de desentendido.
- Aquilo, você sabe – ela revirou os olhos.
- Ah – ele sorriu – que te amo?
- É – ela concordou.
- HAHA, por quê? – ele pensou por um instante – Não é atoa que escolhemos aquela música para você. Você é diferente, engraçada. Nenhuma mulher me fez rir tanto, as suas bobagens, suas manias, seus palavrões. Você gosta de futebol e toma mais geladas do que todos nós juntos. – ela riu lembrando das noites – A metaleira no meio dos pagodeiros. Você é independente, faz o que quer, diz o que pensa. É uma gracinha quando fica brava – ele piscou – Na praia, aquele dia, eu te achei tão indiferente, como um desafio. Você não caiu aos meus pés como uma garota fácil. Você é incrível na cama e eu adoro seus olhos depois de uma noite de amor. – deu uma pausa – Quer mais?
- Você...você nem me deixou falar, saiu assim sem mais nem menos – colocou a mão em seu ombro – Eu tenho medo do amor – ele merecia a verdade – Antes, diria que tenho medo de machucar quem se envolve comigo, por que eu faço as pessoas sofrerem, mas na verdade é que eu tenho medo de me machucar novamente – ela falava cabisbaixa, esperando que ele entendesse – Sim, durante essa semana percebi várias coisas. Percebi que me sinto bem ao seu lado, e nas poucas horas que estamos longe quero estar perto, ouvir sua música e receber seus carinhos insistentes, coisa que eu nunc a tive questão de ter. Pela primeira vez não quis somente o sexo.
Ele ficou em silencio, e depois subitamente pegou-a pelo braço e a conduziu para um passeio a beira- mar.
Começaram a contar desilusões amorosas um ao outro, riram sobre situações parecidas, e compartilharam a história de suas vidas. Mas, o tempo mudou e acabou com o passeio noturno.
Quando a chuva começou a cair, correram até a casa dele e antes de entra selaram um beijo molhado e cheio de paixão.
Entraram, cumprimentaram, sem jeito, os amigos que estavam na sala, na roda de pagode, e foram para o quarto.
Ele se jogou na cama, tirando o moletom molhado, enquanto observava-a tirar o casaco, encostada na escrivaninha.
- Por que está me olhando assim? – perguntou ela, mordendo o lábio inferior.
- Você está apaixonada por mim, só que não se deu conta disso. – ele tirou o boné e mexeu nos cabelos bagunçados.
- Eu deveria estar lisonjeada por você me amar? – ela perguntou, começando um jogo de sedução.
- Claro! – sorriu e levantou da cama – Você está?
- Acho que sim, você é tão...- ela pensou na palavra certa. – Você é tão lindo!
Ele ruborizou e sorriu ao mesmo tempo.
- Deixei você encabulado, não é? – disse pegando o queixo dele e o trazendo para mais perto, sem encostar os corpos.
- Pare – disse ele.
- Mas, é verdade. Quando vi você pela primeira vez te achei tão perigoso, desalinhado e arrojado – disse sensual – Talvez seja o cabelo, logo imaginei como seria tê-los em minhas mãos – passou a mão em seus cabelos puxando com delicadeza – ou os olhos, tão perigosos e intensos.
As mãos dele foram instintivamente até a cintura dela, ainda com os corpos separados.
- Ou a boca – ela tocou a sua boca a dele – Não posso imaginar eu resistindo a você.
- Você está me seduzindo? – ele perguntou em êxtase
Ela o ignorou, abrindo os botões da camisa de flanela que ele usava.
- E esse corpo então? – passou a mão em seu peito, um pouco suado.
A respiração dos dois estava ofegante, e quando os olhos se encontraram puderam sentir as faíscas que exalavam do calos dos corpos quando se tocaram e encaixaram os corpos.
Ao pé de seu ouvido ele disse trêmulo:
- Você sabe o que faz comigo e está se aproveitando – raspou os lábios em seus pescoço – Sabe o quanto preciso de você?
- Me mostre – ela sussurrou.
Foi agarrada ligeira e violentamente, seus lábios em fusão. Ele a jogou na cama e o colchão afundou recebendo- os no centro.
Ele já estava sem camisa e ela podia sentir seu peito subindo e descendo, colado ao seu, enquanto a mão dele dançava por seu corpo tirando-lhe a roupa.
Tinha tanto desejo, tanto fogo. Ela não lembrara qual fora a ultima vez que sentira algo tão bom. Já havia desejado um sorvete, desejado uma festa, um fim de semana, mas nunca provara um desejo tão forte e intenso como aquele tipo de desejo. Paixão, desejo, êxtase, amor.
Até o quarto estava quente e inundado de paixão.
Ela precisava dele com todas as forças e ele precisava dela mais ainda.
Ele a penetrou, ela o acolheu.
Perderam a noção de espaço, de tempo. Viajaram na magia da dança de corpos já suados e a louca vontade de se unirem, cada vez mais. Era a realidade em que se resumia àquelas quatro paredes.
E quando atingiram o clímax, se abraçaram forte, murmuraram os nomes e palavras bonitas. Algo diferente havia acontecido naquela noite, e ela queria que aquele momento nunca terminasse. Sentia-se segura.
Com os braços entrelaçados ficaram, até recomeçarem mais uma vez ainda querendo um ao outro. Precisavam de mais, muito mais.
Entre gemidos, prazer e alguns sussurros de palavras trocadas, insaciáveis, viram o dia amanhecer para brindar a união que se iniciava.
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